Competência e capacitação

Por: Eng. João Ulysses Laudissi

 

Philippe Perrenoud, um dos pensadores que mais se destaca ao estudar os conceitos de competência e profissionalismo é conhecido por suas contribuições significativas no campo da educação, especialmente em temas como formação de professores e de avaliação e desenvolvimento de competências. Tornou-se uma referência para os educadores em virtude de suas ideias pioneiras sobre a profissionalização de professores e a avaliação de alunos.

Esse pensador suíço, sociólogo, nascido em 1944, é autor do livro “Construir as Competências desde a Escola” (*) – Editora: Artmed – S.P. -, um livro fantástico em que o autor sistematiza sua concepção de competência, defendendo que a escola deve preparar os alunos não apenas para acumular conhecimentos, mas para usar esses conhecimentos na resolução de problemas reais e traz a ideia de “mobilização de saberes” como essência da competência.

Na visão de Philippe Perrenoud, competência é vista diante dos seguintes aspectos:

 

Aspecto Philippe Perrenoud
Conceito de Competência Capacidade de mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes para resolver problemas em situações reais.
Finalidade Preparar o indivíduo para agir de forma eficaz e autônoma em contextos profissionais e sociais.
Relação com o Saber O saber é funcional e integrado às práticas. Deve ser mobilizável conforme a situação.
Relação com o Poder O poder é pouco tematizado; a competência é vista como uma ferramenta emancipadora e útil.
Formação do Sujeito O sujeito é formado para ser autônomo, reflexivo e atuante.

 

Quanto as práticas pedagógicas, Perrenoud incentiva que se desenvolvam autonomia, criticidade e aplicabilidade prática dos conteúdos aprendidos, além do saber teórico, possibilitando ao aluno se tornar capaz de mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes (C.H.A.) em contextos diversos para resolver problemas de forma eficaz. Portanto, para o sociólogo e pensador, “a competência não é algo que se possui, mas algo que se mobiliza”.

Voltando ao livro “Construir as Competências desde a Escola”, o autor traz as seguintes ideias, de que:

  • Competência é ação eficaz em contextos complexos;
  • Ensinar por competências exige mudar a lógica da transmissão de conteúdos para a formação de sujeitos capazes de pensar e agir;
  • O professor deve ser um mediador e organizador de situações desafiadoras de aprendizagem; e
  • O desenvolvimento de competências exige interdisciplinaridade, avaliação formativa e projetos de trabalho.

 

Já, quanto aos elementos fundamentais do profissionalismo, Perrenoud, destaca a importância do desenvolvimento contínuo, da reflexão na prática e do engajamento ético. Assim, o pensador está mais diretamente associado ao estudo da competência e profissionalismo, especialmente no campo da educação e da formação profissional.

Nesta altura do texto, pode ser que o leitor venha a perguntar: O que difere capacitação de competência?

A capacitação é entendida como um processo e refere-se ao ato de preparar alguém para exercer determinada função ou atividade. Envolve treinamentos, cursos, palestras, entre outros. É uma ação externa, geralmente promovida por empresa, escola, governo etc com o objetivo de fornecer conhecimentos, habilidades e atitudes. Exemplo: Uma pessoa faz um curso de capacitação em montagem de andaimes para construção civil.

Agora, a competência é o resultado e refere-se à capacidade efetiva de aplicar conhecimento (saber), habilidade (saber fazer), e a atitude (querer fazer). Exemplo: Uma pessoa demonstra competência em montagem de andaime de construção civil ao cliente quando aplica empatia, rapidez e solução de problemas de forma eficaz no cotidiano de trabalho.

Enfim, a capacitação é um meio, enquanto a competência é o fim. Uma pessoa pode ser capacitada, mas não necessariamente competente, se não conseguir aplicar na prática o que aprendeu. Por isso, capacitar é necessário, mas desenvolver competências é essencial.

Ao estruturar um quadro comparativo entre capacitação e competência, tem-se o seguinte resumo:

Aspecto Capacitação Competência
Natureza Processo educativo/formativo Resultado prático/aplicado
Origem Externa (fornecida por alguém) Interna (desenvolvida pela experiência)
Finalidade Transferir conhecimento e habilidades Aplicar o que se aprendeu com eficácia
Avaliação Participação, presença, prova Desempenho, entrega de resultados

 

Assim, o melhor dos mundos é quando a pessoa é considerada capacitada, competente e exerce com profissionalismo suas atividades, ou seja, recebe o reconhecimento de agir com profissionalismo por apresentar um conjunto de atitudes e valores próprios de quem exerce uma atividade com seriedade, competência e ética, e a origem do seu profissionalismo está ligada à ideia de tornar pública a sua ocupação e o seu compromisso, agindo de forma adequada às responsabilidades assumidas.

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